Economia social: Setor vai ter conta estatística autónoma e observatório nacional
A economia social em Portugal vai ter em breve uma observatório nacional e a sua realidade vai ser objeto de uma análise económica autónoma em parceria com o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Eduardo Graça, presidente da CASES - Cooperativa António Sérgio para a Economia Social, revelou, durante o X Congresso Nacional das Misericórdias Portuguesas, a decorrer em Coimbra, que aqueles são dois projetos em que a sua instituição está envolvida para dar visibilidade a este setor.
"Este setor é muito vasto e enraizado na sociedade portuguesa, desempenhando um papel relevante no desenvolvimento socioeconómico do país, ao contrário do que o discreto perfil da sua intervenção pública possa fazer crer", afirmou.
Na sua perspetiva, é um setor "com uma atividade notável e da maior relevância, mas não tem a correspondente imagem pública que faça honrar essa participação e essa atividade".
Eduardo Graça sustentou que a economia social carece ainda de se conhecer a si própria como setor e de ser conhecida e reconhecida como tal.
Adiantou que no final de 2012 estará concluída a criação de "uma conta satélite da economia social", em parceria com o Instituto Nacional de Estatística (INE), e que o observatório nacional "poderá ter uma visão da atividade das organizações no seu conjunto".
"A economia social representa um conjunto significativo para a riqueza nacional, para a criação e manutenção de emprego, podendo congregar um elevado potencial de recursos na luta contra a crise económica, a pobreza e igualdade de oportunidades", concluiu.
Alberto Ramalheira, outro dos oradores no painel "A importância da Economia Social na promoção do Desenvolvimento Sustentável", no mesmo congresso, lembrou que agora até a própria economia de mercado sente necessidade de desenvolver a economia social através da "responsabilidade social das empresas".
Para o presidente da União das Mutualidades, a economia social ganha cada vez mais relevo na Europa, por aliar rentabilidade, solidariedade e desenvolvimento sustentável.
O X Congresso Nacional das Misericórdias Portuguesas, que quinta-feira começou em Coimbra, encerra ao final da tarde de sábado em Arganil.
A economia social - o chamado terceiro setor, depois do sector privado, com fins lucrativos, e o sector público, que visa satisfazer o interesse geral - está ligada à economia solidária, envolvendo o associativismo, o cooperativismo e o mutualismo como formas de organização da atividade produtiva.
Fonte: http://sicnoticias.sapo.pt/Lusa/2011/06/17/economia-social-setor-vai-ter-conta-estatistica-autonoma-e-observatorio-nacional-cudio