Creche de Almeirim vai fechar por falta de verbas da Segurança Social

Desde 2009 que a Misericórdia de Almeirim está à espera que a Segurança Social ponha em prática um acordo de financiamento da creche do Paço como faz com as várias instituições de solidariedade, mas como o dinheiro nunca chegou a instituição já acumulou um prejuízo de 200 mil euros.

A Creche do Paço, da Santa Casa da Misericórdia de Almeirim, deve fechar no final deste ano lectivo porque a instituição não aguenta mais suportar as verbas que deviam ser transferidas pela Segurança Social para o funcionamento da valência, como acontece com as outras instituições particulares de solidariedade social (IPSS). Desde 2009, quando a creche abriu, que a Misericórdia aguarda pelo apoio no âmbito de um acordo que foi aprovado tendo acumulado até agora um prejuízo de cerca de 200 mil euros.

Nas creches e jardins-de-infância de IPSS estas cobram aos pais uma verba consoante os rendimentos destes e o restante é suportado pela Segurança Social. Foi nessa perspectiva que abriu em Setembro de 2009 a creche no edifício que serviu de sede ao União de Almeirim. A valência ficou inscrita pelo Centro Distrital de Segurança Social de Santarém para receber esse apoio, mas não tem havido dinheiro. Neste momento está em causa o emprego de 12 funcionários e o acolhimento de 33 crianças que frequentam a creche.

A coordenadora geral da Misericórdia, Helena Duarte, esclarece que o custo médio por utente é de cerca de 300 euros e que desde que a creche abriu que há vários utentes a pagar prestação mínima de cerca de 35 euros mensais, na perspectiva que a Segurança Social desbloqueasse a situação. No ano lectivo passado a instituição assegurou cerca de 75 mil euros da diferença entre o que os pais pagaram e o que devia ter sido transferido pela Segurança Social e este ano o montante vai em 125 mil euros. A instituição já comunicou a situação à ministra do Trabalho e Segurança Social, Helena André, pedindo a sua intervenção, mas ainda não obteve resposta.

Alguns pais estão apreensivos e dizem que as suas expectativas estão defraudadas. Helena Duarte compreende os receios dos pais e diz que até ao final do ano ainda tem esperança que se consiga uma solução a contento de todos. “Estamos muito preocupados com aquelas crianças e com os funcionários”, realça. A coordenadora geral admite que para a Misericórdia a solução mais viável é a creche ficar a funcionar em moldes idênticos às privadas, estando a instituição disponível para praticar um valor abaixo do custo médio. Nesse caso evita-se o despedimento dos funcionários.

Helena Duarte esclarece que pode haver possibilidades de acolher algumas crianças noutra creche da instituição, mas tudo depende das vagas que venham a abrir. E acrescenta que foi feita uma reunião com os pais a três meses do fim do ano lectivo de modo a preveni-los da necessidade de poderem encontrar vagas em outras instituições. Situação que não será fácil já que a procura é maior que a oferta e a própria Misericórdia tem utentes em lista de espera.


Fonte: http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=494&id=74149&idSeccao=8021&Action=noticia  
05 de Maio de 2011


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