Gestão das IPSS vai ter de mudar para garantir a sobrevivência

Caminho passa por captar recursos através da prestação de serviços lucrativos

Dirigente da União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social diz que é extremamente difícil negociar com o Estado e que a sustentabilidade das instituições passa por procurar gastar o menos possível.

O papel das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e o seu futuro face à falência do Estado Social foi a questão em debate em Abrantes, sexta-feira, 15 de Abril, no âmbito do 1º Congresso Distrital do PSD de Santarém. Sob o tema “Uma emergência de respostas sociais: o papel do Estado e a importância da Economia Social”, entre os oradores ficou a ideia comum de que a sobrevivência das IPSS passa por conquistar novas formas de sustentabilidade, desde a adesão cada vez maior às energias renováveis, ou a reestruturação do modelo de gestão dessas instituições.

Humberto Lopes, da União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social de Santarém, iniciou a intervenção referindo que “é extremamente difícil negociar com o Estado” e que a sustentabilidade das instituições passa por procurar gastar o menos possível.

No futuro, a aposta deverá ser em “edifícios com boas condições térmicas, energias alternativas, explorações agrícolas, baixo vencimento dos colaboradores”. Mas sendo o Estado o superior garante do desenvolvimento social global, tanto este como as IPSS terão que chegar a um entendimento.

Humberto Lopes lembrou que a legislação que coordena a relação do Estado com as IPSS data de 1983 e precisa de ser actualizada. “Julgo que está na altura. O futuro será procurar recursos através da prestação de serviços lucrativos”. Actualmente, referiu ainda, as IPSS “contentavam-se que os apoios do Estado chegassem a tempo e horas”, uma vez que há várias instituições com muitos meses em atraso.

Com eleições à porta, Humberto Lopes referiu a O MIRANTE esperar que os próximos Governos sejam “mais abertos que os anteriores às respostas das IPSS, caso contrário haverá muita dificuldade”. Mesmo em tempo de crise, “prevejo que as IPSS do distrito de Santarém continuem a desempenhar o seu papel apesar das dificuldades que enfrentam já neste momento”. E acrescenta: “Acredito que a sociedade tenha resposta para esses problemas”.

Uma das alternativas “é criarem serviços que sejam lucrativos e que possam compensar as áreas não lucrativas”. “De outro modo, se não se arranjar algo de produtivo, que permita receitas da área não lucrativa, é evidente que as IPSS não se conseguem manter durante muitos anos”.

O segundo orador da sessão foi Vítor Gil, coordenador da área de sustentabilidade social do PSD, que apresentou alguns números sobre as IPSS a nível distrital. No que toca a creches e lares de idosos há mais procura que oferta, comentou, sendo que a grande maioria das IPSS da região têm acordos de cooperação com o Estado.

Vítor Gil defendeu a necessidade das IPSS se dividirem em duas vias: uma para os utentes que podem pagar, privilegiando-se essa, que depois suportaria a parte dos que não têm condições financeiras. Na actual situação económica, que tende a agravar-se nos próximos tempos, as IPSS “vão ter que ter um canal sem fins lucrativos e outro com fins lucrativos para garantir a sustentabilidade”. E garante: “Não é sustentável o sistema tal como está nos próximos tempos”.

Da plateia surgiram vários depoimentos, da parte de quem gere IPSS e defende uma melhor gestão, ou de técnicas da Segurança Social, que lidam todos os dias com casos de pessoas que não podem pagar. “O Estado não tem condições para dar mais nada. Cada vez mais seremos nós a suportar estes encargos”, comentou Vítor Gil.


Fonte: http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=492&id=73842&idSeccao=7978&Action=noticia


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