Mação lança programa de voluntariado “Apadrinhar um idoso”
Município pretende tentar minimizar os efeitos do isolamento em que vivem muitos idosos
Projecto encontra-se em “fase de arranque” e resulta de uma parceria entre a câmara, Misericórdia, instituições particulares de solidariedade social, juntas de freguesia e Comissão Local de Desenvolvimento Social.
Apresentando o maior número de idosos isolados no universo dos municípios sob jurisdição da GNR, Mação vai lançar uma campanha de voluntariado de “apadrinhamento” que visa a prestação de acompanhamento à população naquela situação. De acordo com os dados recolhidos no âmbito da operação Censos Sénior da GNR, Mação é o concelho do país com maior número de idosos isolados, uma situação que preocupa a câmara municipal.
“É um factor de preocupação para nós, porque são muitos os idosos que vivem sozinhos” diz o vice-presidente da autarquia, Vasco Estrela (PSD), salientando que é “urgente” encontrar respostas que “minimizem” os “problemas gravíssimos” que aquelas pessoas enfrentam.
Segundo Vasco Estrela, Mação tem um território com cerca de 400 quilómetros quadrados por onde mais de 100 pequenos núcleos populacionais se dispersam, com pequenas aldeias e lugares, “alguns deles com 3 ou 4 pessoas”. “Não existindo soluções para modificar esta realidade, o que vamos fazer é tentar minimizar os seus efeitos com o lançamento de um novo programa na base do voluntariado e que se chamará ‘Apadrinhar um idoso’”, conta.
O novo programa, em “fase de arranque”, resulta de uma parceria entre a autarquia, Misericórdia e demais instituições particulares de solidariedade social (IPSS), juntas de freguesia e Comissão Local de Desenvolvimento Social (CLDS) e visa o “apadrinhamento” de um idoso por quem se voluntarie para o acompanhar ao centro de saúde ou simplesmente para uma visita pontual, uma conversa ou saber do que necessita.
Com a família “longe”, visitas é algo que Hermínia António, 66 anos, residente em Cerro do Outeiro, um lugarejo no Mação profundo, não conhece há muitos anos. “Hoje é só casas abandonadas e somos só três pessoas”, contou à Lusa, afirmando o seu orgulho por viver na terra que a viu nascer, um monte tão íngreme que só a pé se consegue aceder e que outrora teve 32 habitações com vida.
Por companhia tem as duas vizinhas que também vivem no Cerro, além das cabras, das galinhas, do cão e dos gatos. “Sós como estamos, tudo por aqui faz companhia”, disse, afirmando apenas temer os assaltos e os incêndios”.
Uma opinião partilhada por Carmina Jesus, 73 anos, que acrescentou que os seus dias são passados “no campo, a amanhar a terra” e a cuidar das hortas. Aos domingos, quando pesa mais a solidão, vai visitar a casa das outras duas habitantes nas redondezas.
Vanda Serra, coordenadora do CLDS, afirma existir um “apoio e acompanhamento” por parte das IPSS e dos serviços sociais da autarquia que “abrange mais de 70 por cento da população idosa”, tendo lembrado ser “impossível” chegar a todo o lado. “As pessoas isoladas são muito depressivas”, observou, acrescentando ser “muito triste a família estar longe e não ligar”.
In http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=491&id=73612&idSeccao=7956&Action=noticia