Restaurantes oferecem refeições a famílias carenciadas

Campanha Direito à Alimentação arranca em Lisboa, Entroncamento e Santa Maria da Feira

Vários restaurantes de Lisboa, Entroncamento e Santa Maria da Feira vão oferecer refeições diárias a quem mais necessita a partir de segunda-feira. A iniciativa insere-se na campanha Direito à Alimentação, lançada pela Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP).

Alguns restaurantes daqueles três concelhos vão oferecer um número fixo de refeições semanais completas a famílias carenciadas, identificadas pelos serviços de acção social das autarquias.

«Os restaurantes não vão dar sobras, mas vão oferecer um número fixo de pratos solidários por dia, dentro das suas possibilidades», explicou à agência Lusa a porta-voz da campanha Direito à Alimentação, Fernanda Freitas.

«O pão custa zero, o prato custa zero, a sopa custa zero e a fruta custa zero. Ou seja, um prato do dia, não é uma sobra, em vez de ser vendido, é oferecido», explicou.

A campanha Direito à Alimentação, lançada pela AHRESP, inicia a sua fase piloto em Lisboa, Entroncamento e Santa Maria da Feira.

No Entroncamento, oito restaurantes vão disponibilizar cinco refeições por dia, todos os dias da semana, a dez famílias carenciadas. Em Santa Maria da Feira, 30 restaurantes vão disponibilizar cinco refeições diárias. A agência Lusa tentou obter o número de restaurantes que aderiram ao projecto e de famílias que seriam beneficiadas em Lisboa mas não obteve resposta.

«Nova pobreza é muito envergonhada»
Os departamentos de acção social das autarquias, em conjunto com Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e de voluntariado, «fizeram um levantamento das pessoas mais necessitadas, dando prioridade às famílias com crianças, a idosos isolados e pessoas portadoras de alguma deficiência», afirmou Fernanda Freitas.

A porta-voz da campanha salientou que essa «lista» é fornecida aos restaurantes para não causar «constrangimento às famílias».

«Não há nada que identifique as pessoas como carenciadas. Apenas os restaurantes e as famílias sabem que aquele é um serviço solidário. As famílias chegam lá, identificam-se e recebem o apoio em take-away. Não queremos causar nenhum constrangimento às famílias. Esta nova pobreza é muito envergonhada e não queremos que se inibam de ir ao restaurante, nem que tenham um rótulo», explicou.

A ideia da campanha é, depois de algumas semanas desta fase piloto, fazer uma avaliação dos procedimentos de forma a melhorá-los e avançar para outros concelhos.

«O que queremos é criar uma plataforma de solidariedade a nível nacional», afirma Fernanda Freitas.

Fonte: http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/comida-direito-a-alimentacao-familias-carenciadas-restaurantes-pobreza-tvi24/1243937-4071.html


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