Lucros do Hora H de amanhã revertem para a Cedema

A Cedema luta para conseguir "roubar" a atenção que recai sobre as crianças e idosos com deficiência: as crianças crescem e precisam de apoio. Fomos conhecer a instituição para a qual vão reverter os lucros da "Hora H" de amanhã.

A pergunta é seca e remói as ideias. E se amanhã lhe aparecesse um primo com deficiência profunda em casa? O que faria? Deixava o trabalho? A sociedade tende a considerar que a deficiência está longe, não afecta ninguém, porque não a vê. Porque muitas associações, "que só vivem dos apoios do Estado, têm salas fechadas e os meninos à volta de uma auxiliar, a rasgar papel os dias todos". Quem o diz é Maria Antónia Machado, presidente da Cedema, das "poucas associações" a apoiar deficientes cognitivos adultos.

Ao visitar as instalações da associação sente-se imediatamente essa diferença: a abertura. Não é literal, nem tão pouco estrutural: um dos Centros de Actividades Ocupacionais (CAO) da Cedema está instalado em três lojas de um bairro social, cedidas pela Câmara Municipal de Lisboa, que não têm ligação entre si. Mas é emocional. Sente-se a ternura de um espaço acolhedor, preenchido com trabalhos manuais - quadros, azulejos, cerâmicas.

Os monitores têm sorriso fácil e esforçam-se por manter os 29 utentes ocupados. Sónia Oliveira, técnica de recursos humanos, faz de cicerone. "Eles fazem coisas de que gostem. Se não gostam de pintar, podem fazer colagens ou desenhos".

Paulo, um dos alunos, tem 40 anos e, enquanto constrói frases no computador, tem duas namoradas. "O homem foi feito para ter duas mulheres", brinca. João, o mais novo, com 18 anos, já poderia conduzir. Gosta muito de beijinhos - só a directora teve direito a uma mão cheia. Noutra sala está "Filipão". Tem um "cabedal" que lhe permitiria jogar râguebi, e uma "idade mental de uma criança de meses".

A instituição proporciona diversas actividades no horário compreendido entre as 9h30 e as 16h15. Além dos trabalhos manuais - que costumam ser vendidos em diversas mostras (revertendo uma percentagem de 10% para os autores), os alunos têm incluído na mensalidade natação adaptada, nas piscinas da Ameixoeira (que são ali ao lado), hipoterapia, ginástica, golfe, entre outros. A par disto, ainda disponibilizam um lar para seis utentes.

CML e Estado podiam fazer mais
Com 24 funcionários, a Cedema, como Instituição Privada de Solidariedade Social, recebe do Estado cerca de 60% das verbas necessárias ao seu funcionamento, orçado em cerca de 460 mil euros anuais. Mas o Estado podia fazer mais. "As IPSS são o maior empregador a seguir ao Estado, em termos nacionais. Porém, quando queremos construir equipamentos não temos apoios que nos permitiriam trabalhar mais a um custo muito mais baixo do que o Estado cobra", lamenta, em alusão ao financiamento do novo lar "Telhadinho", cujos custos derraparam em virtude da nova regulamentação sobre construção de equipamentos sociais.

"Estamos muito gratos à Câmara de Lisboa [pela cedência das lojas onde funciona o CAO], mas poderíamos funcionar com outra dignidade. Há palácios a cair que não são ocupados, porque parece que os lares têm de ir para os bairros sociais", acusa. O vereador com o pelouro da Acção Social, Manuel Brito, salienta que a autarquia "cede espaços onde eles estão disponíveis" - uma situação "mais frequente a nível de bairros municipais", como é o caso da Cedema.

Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=458985

16 de Dezembro de 2010 


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