AGIR: uma nova esperança para os mais carenciados
A AGIR - Associação de Reflexão e Intervenção Social de Torres Novas - tem vindo, desde 2008, a ganhar um lugar de destaque na vida social do concelho. Anteriormente com uma actividade algo discreta, a associação deixou agora cair para segundo plano a sua vertente de reflexão, e dedicou-se a uma actuação mais interventiva no que à acção social diz respeito. Com um ano e meio de provas dadas no que se refere ao apoio aos mais carenciados, a instituição tem agora pretensões de se transformar numa Instituição Particular de Solidariedade Social.
Consultas de psicologia, psico-oncologia e de terapia da fala gratuitas, destinadas a pessoas carenciadas, são algumas das já muitas valências da associação, que disponibiliza ainda grupos de ajuda mútua para pessoas com cancro. Tudo isto na sua nova sede, na Quinta da Silvã, e fruto do voluntariado de várias técnicas que, sem pedir nada em troca, dão o seu tempo e saber a quem mais precisa. Um ATL de Verão para as crianças carenciadas do concelho e a realização de palestras e acções de sensibilização para o cancro, pelas aldeias, são outras das actividades promovidas pela AGIR, uma associação que deu uma volta de 180 graus na sua actuação.
Mas a actividade da associação não pára por aqui: na rua da Trindade (junto à Farmácia Central), sua antiga sede, a AGIR tem um ”espaço solidário”, onde as pessoas que necessitem podem encontrar roupa e até alguma mobília e material para bebés, como carrinhos, banheiras, etc. Cerca de 78 famílias não só de Torres Novas, como dos concelhos vizinhos de Alcanena e Golegã, usufruem já desta ajuda. O Espaço Solidário está aberto às terças-feiras, entre as 15 e as 18 horas e recebe também a roupa que quem quiser pode doar.
Para quem procura mais do que roupa, a associação oferece ainda cabazes alimentares mensais, recorrendo para isso ao Banco Alimentar contra a Fome. Quem precisa, tem apenas que recorrer à associação e ”provar” que carece dessa ajuda. Actualmente, cerca de 36 famílias usufruem deste apoio.
Esta viragem na actuação da instituição aconteceu com a tomada de posse de Teresa Redol, técnica de reabilitação, como presidente da direcção da associação, em Outubro de 2008. Desde então, Torres Novas passou a ouvir falar da associação e muitas famílias viram uma nova esperança no futuro.
A procura já é muita, diz Teresa Redol, que no ano de 2009 viu aumentar em muito o número de famílias que necessitam de um apoio externo. O tipo de necessidades é comum a todos: ”Os casos que mais nos chegam são os de dificuldade de pagamento da renda, água e luz, mas a nível monetário não podemos ajudar, por isso reencaminhamos esses casos para o Projecto Rosto ou para o Gabinete de Acção Social da Câmara”, explicou.
Mas a aposta da associação vai mais longe: ”O nosso objectivo é a inserção profissional, porque não queremos que as pessoas andem a vida inteira a pedir. Quando fazemos o diagnóstico social, sensibilizamos as pessoas para isso. Tentamos saber o que gostam de fazer e que objectivos de vida têm. Já fizemos um protocolo com a Escola Profissional, para que quem nos procura possa fazer cursos de formação, o 9.º ou o 12.º ano. É importante as pessoas sentirem que não estão dependentes de outros”.
Esta ”política” já deu frutos e a associação conseguiu arranjar já emprego para duas pessoas. ”Basta um ou dois sucessos para que o trabalho valha a pena” diz Teresa Redol.
Dificuldades
Mas também a associação se depara com algumas dificuldades, especialmente a nível financeiro. A viver apenas das quotas pagas pelos associados (1 euro/mês), a associação vive algumas contingências financeiras. Com a renda de duas sedes para pagar, mais despesas inerentes, a AGIR vive da boa vontade dos outros. A Câmara Municipal de Torres Novas vai agora apoiar a associação com o pagamento de 60 por cento da renda da sede da Silvã, mas muito continua ainda por pagar. Faltam também voluntários. Todos estes projectos dão trabalho e para isso é necessária mão-de-obra: ”A sede deveria estar aberta todo o dia e só está à tarde, das 15 às 18, porque não temos ninguém. O próprio espaço solidário dá muito trabalho, com a triagem da roupa que nos chega e a separação da mesma por idade ou género”, explica Teresa Redol. Outra das faltas que a associação mais sente é de uma viatura: ”Não temos carro para ir buscar a mobília que nos dão ou para ir a Abrantes buscar a comida. Falta-nos também uma viatura”.
Caminhada contra o cancro
Como já acontece há três anos, a AGIR vai realizar no dia 29 de Maio uma caminhada em Torres Novas. O objectivo é sensibilizar e alertar a população para o cancro, uma doença que pode bater à porta de qualquer um. Há dois anos a caminhada reuniu 800 pessoas e o ano passado, debaixo de um sol abrasador, o número ficou pelas 500. O objectivo para este ano é de reunir igualmente o máximo de caminhantes. A inscrição não deverá ter qualquer custo, mas se as pessoas quiserem dar um donativo, para o trabalho que a associação desenvolve, será bem recebido. A caminhada sai da sede na Silvã e terminará no jardim das rosas, com a actuação de Pedro Barroso e Ana Dória.
Grupos de ajuda mútua
Os Grupos de Ajuda Mútua (GAM) realizam-se duas vezes por mês, à segunda e quarta segunda-feira de cada mês, entre as 21 e as 22h30. Os grupos são de frequência livre e destinam-se a pessoas com cancro, familiares e amigos. Neste momento, têm 7 pessoas fixas, depois depende de cada dia. A procura, diz Teresa Redol, ainda não é muita: ”Tenho pena que nos grupos de ajuda mútua as pessoas ainda se fechem um bocadinho. As pessoas evitam ir e ainda não conseguem deitar cá para fora aquilo que sentem, mas ajuda bastante perceber que há outras pessoas que sentem o mesmo que nós. Partilhar ajuda a enfrentar e além disso trabalhamos muito a auto-estima”, contou.
Fonte: Jornal Torrejano