Centro de Dia do Souto - Este edifício não existe legalmente
No final da década de 80, o GAT - Gabinete de Apoio Técnico fez o projecto. Mas quem estava à frente achou que era melhor fazer de outra maneira. Por isso, o GAT "desvinculou-se" da obra.
Em 1995, o edifício resultante da criatividade local iniciou funções. É o Centro de DIa. Foi mesmo inaugurado pelo Governador Civil. Está dito em placa comemorativa. A Segurança Social apoiou e continua a apoiar o trabalho social do centro. Tudo certo.
Em 2004, Manuel Traquina fica à frente dos destinos da casa. E quer levantar voo: de centro de dia para lar, que "era isso que o povo queria".
O pior é que o edifício não pode levantar voo. E é agora que se entorna o caldo. Para abrir o processo de reconversão do que está no que se quer que esteja, é necessário que o edifício tenha licença de utilização. Não tinha. Pede-se a licença à Câmara. O processo tinha desaparecido.
E andou-se à procura dele até que apareceu. Era já o ano de 2008. Não é ponto final nem parágrafo, porque o caso não anda, continua parado. Não pode ser passada licença de utilização porque o edifício não corresponde ao projecto. E que fazer, então? Fazer o projecto do que lá está.
O edifício está lá desde 1995, foi inaugurado por uma autoridade pública, tem sido utilizado, e reconhecido e apoiado publicamente. Mas não existe, só pode. Pois se é necessário ir fazer agora o projecto do que lá está: cálculos de estabilidade, electricidade, água, esgotos...quase tudo. Para que o edifício passe a ter existência legal. Para depois se poder construir o que é necessário para poder funcionar como lar.
Manuel Traquina desabafa, "Com estas exigências todas, não sei se vamos ter lar. Nós trabalhamos por amor à camisola. Eu não ando a pedir dinheiro, muito menos para mim. Só peço que não ponham entraves."
Mas lá vai fazendo força. Nota-se que já não sabe bem onde ir buscá-la, farto de empurrar para cima, para tornar-se lar, um edificio que não existe. Mas o projecto já está em elaboração. O dinheiro para pagá-lo também existe. Mas Manuel Traquina viu as leis mudarem e o que em 2004 era fácil de fazer agora.... já lhe parece impossível.
Mas não pode ser. Não pode haver impossíveis. Por isso não há, não pode haver ponto, parágrafo. O trabalho continua. E Manuel Traquina insiste. "só peço que não ponham entraves".
Fonte: Jornal de Abrantes