Misericórdia inventa receitas para combater défice

Ano após ano, a Santa Casa da Misericórdia de Abrantes (SCMA) vê-se obrigada a arranjar receitas para fazer face aos custos de funcionamento, porque as subvenções da Segurança Social são muito inferiores aos gastos que a instituição tem com cada utente.

O vice-provedor, Alberto Margarido, disse ao nosso jornal que esta é uma situação , é um problema que tem vindo a ser colmatado com a venda de alguns imóveis doados à Misericórdia. Mas, mesmo neste campo, as coisas estão complicadas porque as doacções são cada vez menores.

Segundo o responsável, a ideia de que a Misericórdia é uma instituição rica não é verdadeira. Conta o dirigente que a venda de uma quinta na zona do Estoril, há vários anos, deu muito dinheiro à SCMA, mas as verbas foram investidas em obras. O dinheiro não abunda, segundo o responsável, e mesmo as reformas dos utentes a juntar às subvenções recebidas do Estado não chegam para as despesas.

Dos 105 idosos que estão no Lar/Hospital, 40% são completamente dependentes, pelo que o apoio permanente faz com que a instituição tenha um corpo de duas centenas de funcionários. Só em medicamentos para os internados a Santa Casa gasta muito dinheiro, referiu o vice-provedor, adiantando, no entanto que têm tido alguns apoios.

Por outro lado, uma gestão rigorosa e como se de uma empresa se tratasse tem vindo a diminuir alguns dos custos correntes da instituição. Mesmo assim, há fornecedores que "são amigos" e que andam com "mais de cinco meses de atrasos nos recebimentos". Outro dos factores salientados pelo mesário da instituição tem a ver com o aumento crescente de internados com Parkinson e Alzheimer, que, como ainda têm mobilidade, necessitam de vigilância permanente. Alberto Margarido revelou também que há casos em que os idosos são "despejados" pelos familiares que, nalguns casos, nem sequer os visitam  nas datas mais "especiais". Um factor que provoca "danos" psicológicos nos idosos que a instituição tenta ultrapassar com os convívios que organiza e com a proximidade das funcionárias.

 Com um orçamento anual que ronda os 1,9 milhões de euros e dando emprego a cerca de 200 funcionários, a Santa Casa tem 105 utentes no Lar/Hospital, 42 no centro de dia, 120 crianças na creche, 26 meninas à guarda do lar de raparigas, prestando ainda apoio domiciliário a 40 idosos.

Fonte: O Ribatejo


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