Lar de Santo António promove leilão e "As broas do Santo" a 21 de Novembro
A direcção do Lar de Santo António, à imagem do que fez a direcção de 1994, promove dia 21 de Novembro o leilão de parte do espólio que o benemérito António Guilherme Silve e Sousa deixou à instituição.
"São sobretudo peças que sobraram do anterior leilão de 1994." explica Maria Emília Rufino. Peças que estarão em exposição, dias antes, para apreciação pública.
A verba a apurar no leilão, dará, segundo a responsável, cumprimento à disposição do benemérito de "contribuir e reforçar a formação das meninas" a viverem na instituição. "Na altura do leilão, aberto a toda a população, vamos fazer as Broas do Santo e recuperar a ideia dos bolinhos dos santos populares", acrescenta.
Creche e cozinha pedagógica
É intenção da actual direcção - que termina o mandato em Dezembro - abrir uma creche a funcionar no LSA e com a "mais valia" de funcionar com um horário "mais alargado, uma vez que, enquanto lar, já funcionamos 24 horas por dia" anuncia Maria Emília Rufino.
Outro objectivo da direcção é a constituição de uma cozinha pedagógica, um espaço onde as crianças possam "aprender a cozinhar" e a "adquirir conhecimento para uma vida autónoma".
"Queremos ter a certeza que quando saírem do Lar tenham uma profissão mas também conhecimentos práticos do dia a dia", refere a directora do LSA que não esconde a necessidade de uma nova rouparia, apesar de não terem necessidade de comprar roupa por "as ofertas conseguirem cobrir as necessidades das crianças". Ao invés, os géneros alimentares são "sempre bem aceites no lar".
O LSA tem parcerias com diferentes instituições da cidade, beneficiando e colaborando com o Banco Alimentar de Santarém, com a Cruz Vermelha onde ao abrigo do projecto "Eu e os Outros", desenvolvem acções de voluntariado, e com a ASPA, participando em campanhas. "Têm sido muitas as ajudas que temos recebido da comunidade", reconhece a directora.
As crianças beneficiam ainda de actividades extracurriculares como esgrima, coro, catequese, guias, ballet e ginásio, sobretudo aos fins-de-semana e também da oferta cultural da cidade, que lhes permite idas ao cinema, ao teatro Sá da Bandeira, Biblioteca Municipal e Centro Nacional de Exposições.
Projectos de vida
"São crianças perfeitamente inseridas no contexto familiar, só que numa grande família. As rotinas são normais, tal como a distribuição de tarefas, só com a diferença de se tentarem cumprir horários", explica ao Correio do Ribatejo Sandra Polho, directora técnica do Lar, com formação na área da pedagogia social.
" As meninas fazem as suas camas e deixam os quartos arrumados. A maior parte do tempo é passado na escola e à noite reúnem-se ao jantar", conta.
Todas têm funções e o seu lugar marcado nas diferentes mesas redondas do refeitório. Aos fins-de-semana, de quinze em quinze dias, algumas das crianças beneficiam das "Famíliasda Amizade", em Rio Maior, Alpiarça e Samora Correia, que as acolhem em casa para um fim-de-semana diferente.
"A aceitação das famílias da amizade passa por uma entrevista efectuada por técnicas da instituição, uma visita domiciliária e o conhecimento profundo dessa família", informa Sandra Polho. "Não são futuros pais, nem se trata de adopção, o objectivo é criar relações com a comunidade, onde as crianças possam partilhar experiências, como uma saída ao cinema, por exemplo." clarifica.
Por vezes, admite a técnica, é "importante quebrar com referências do passado e fazer algo diferente com elas", explica. O objectivo passa, segundo Sandra Polho, em trabalhar o projecto de vida das crianças que tem, forçosamente, de ser um projecto de qualidade", garante.
"Há que enquadrar a criança naquilo que ela dá mostras de gostar e que gostaria de ser," salienta. A formação académica das crianças funciona na instituição em paralelo com a formação profissional.
Quanto ao tempo de permanência da criança no Lar, Sandra Polho entende que "não pode haver precipitação na saída das crianças. A criança fica aqui o tempo que precisar e é sempre feito o diagnóstico da situação", esclarece.
"Olhem para estas crianças como crianças," é a mensagem que trazemos quando à saída do portão se fecha nas nossas costas e lá dentro fica a azáfama diária daquela família numerosa.
Fonte: Correio do Ribatejo.