Cozinha Social irá servir população carenciada do concelho

A Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém (ADSCS) vai criar, nas suas instalações (creches) em Tremês e Verdelho, uma cozinha social, para apoiar cidadãos carenciados de várias freguesias do concelho.

Eliseu Raimundo, presidente da Direcção, disse ao Correio do Ribatejo, que logo que tenham reunidas as condições logísticas, o projecto entrará em funcionamento, o que deverá acontecer "o mais tardar dentro de 15 dias".

A ideia passa por confeccionar produtos alimentares que chegam à instiuição e distribuir refeições por quem necessita, através das equipas de apoio domiciliário, com a colaboração das juntas de freguesiado concelho e outros parceiros locais que pretendam associar-se.

Entretanto, a ADSCS tem colaborado como Banco Alimentar Contra a Fome de Santarém e, até dia 4 de Novembro, está a proceder à distribuição de alimentos no âmbito do Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados (PCAAC).

"Tem sido um trabalho muito intenso", afirma Eliseu Raimundo. "Cada vez há mais pessoas a pedir auxílio, mas felizmentetem havido uma boa resposta do Banco Alimentar. Todas as semanas, as nossa Associação, através do protocolo estabelecido com o Banco Alimentar de Santarém, distribui alimentos a cerca de 70 famílias, cujo grau de necessidade é por nós devidamente avaliado", adianta.

Na última quarta-feira, teve início a distribuição de alimentos, respeitante ao Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados, coordenada pelos serviços da Segurança Social. Estes responsabilizam-se pelo envio de alimentos para a Associação - desta feita, num total de 18 toneladas - , acompanhado de uma listagem de pessoas às quais se destina a ajuda.

Trata-se de uma acção promovida pela Comissão Europeia que pretende distribuir alimentos pelas pessoas mais necessitadas do espaço comunitário. Portugal candidata-se todos os anos a esta medida europeia destinada às famílias com baixo rendimento, desemprego prolongado, situações de prisão, morte, doença, separação e abandono, pensionistas do regime não contributivo ou que tenham sido vítimas de uma catástrofe, bem como a instituições com grande número de utentes carenciados.

Para além da ADSCS, há outras instituições na cidade de Santarém, que colaboram com a Segurança Social, servindo de intermediárias na distribuição dos bens alimentares.

Os beneficiários, de acordo com a listagem enviada pela Segurança Social, recebem os alimentos, deslocando-se para o efeito à sede da Associação, no centro histórico de Santarém. A ADSCS é também entidade mediadora do PCAAC, em Pernes e Tremês. Ao todo são cerca de 400 pessoas a beneficiar deste programa.

Arroz, massas, cereais, açúcar, farinha, leite, leite em pó, papas e sobremesas lácteas e manteigas são os principais produtos distribuídos.

 Vidas no limite da sobrevivência

"Não resolve todos os problemas, mas é uma ajuda. Bem melhor seria conseguir emprego" - é esta a opinião geral das pessoas que contactámos na sede de ADSCS, durante a operação de distribuição de alimentos. Pessoas que lutam por uma vida digna, mas conhecem de perto os limites da sobrevivência.

Margarida, de 34 anos, a viver com os seus três filhos de 12, 10 e 7 anos de idade, não consegue esconder a emoção ao falar das dificuldades do dia-a-dia. " A situação é péssima. As crianças estão na escola e é muito difícil conseguir o mínimo de que precisam. Esta ajuda deveria ser mais do que uma vez por ano, porque os alimentos que hoje aqui venho receber só dão para uns meses", disse.

Contratada por uma empresa de trabalho temporário para ajudante de cozinha no Hospital de Santarém, Margarida perdeu o emprego depois de ter de faltar para dar assistência a uma das filhas que adoeceu, segundo nos contou. Hoje recebe 336 euros de subsídio de desemprego mais 20 por cento da Santa Casa da Misericórdia, onde frequenta um programa ocupacional.

"Trabalhei muito tempo no Cemitério dos Capuchos, mas estou desempregado há três anos, e agora, dizem-me que já sou velho para trabalhar", disse-nos o senhor Ramiro, de 51 anos. Somos 5 pessoas lá em casa, eu a minha mulher, o meu filho e os meus sogros e, se não fosse o fundo de desemprego e uns biscates de vez em quando, não sei como é que conseguiríamos sobreviver. Ás vezes, só apetece dar um tiro na cabeça", desabafou.

Neste tempo de crise social e económica, a Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém é visitada por muitas pessoas em busca de auxílio. "Avaliamos caso a caso, porque nem todos são verdadeiramente necessitados", explicou Paula Almeida, tesoureira da ADSCS. "Aparecem pessoas de todas as freguesias do concelho e, por vezez de concelhos limitrofes, que preferem vir aqui, onde são menos conhecidas. Muitas nunca precisaram de ajuda, enfrentam dificuldades económicas pela primeira vez e custa-lhe muito ter que pedir apoio."

Fonte: Correio do Ribatejo


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