Banco Alimentar de Abrantes quer "Cozinha Social" para assegurar refeições diárias

O responsável pela Delegação de Abrantes do Banco Alimentar Contra a Fome (BACF) reclamou hoje a criação de uma "Cozinha Social", de modo a que os mais carenciados possam ter, "ao menos, uma refeição por dia”.

O "aumento de desempregados" e as "dificuldades em assegurar até ao final do mês todas as necessidades do agregado familiar" há muito que são sentidas no BACF de Abrantes, revelou à Lusa o responsável pela instituição, cónego José da Graça, que afirmou que “todos os dias aparece mais gente a pedir e não há capacidade para dar resposta a todos as solicitações”.

"Tem havido um aumento crescente da procura. Há muitas famílias em dificuldade. Cada dia que passa há mais famílias a pedir apoio alimentar e diariamente recebemos um número incrível de pessoas a pedir trabalho, dinheiro ou que lhe paguemos as contas da água, da luz ou da renda de casa", afirmou.

“As situações de carência não páram de aumentar e entendo que em Abrantes já se justificava a criação de uma ‘Cozinha Social’, onde os mais necessitados possam ter, ao menos, uma refeição por dia”.

José da Graça disse à Lusa que “a dimensão das solicitações é de tal ordem que convida a uma reflexão muito séria e exige um espírito cada vez mais solidário".

"A ideia da ‘Cozinha Social’ é um projecto que tenho na cabeça, mas não temos tempo nem meios para o concretizar”, acrescentou.

“O BACF de Abrantes pode ser um parceiro, na medida que tem os bens alimentares e podia ali confeccioná-los e distribuí-los em forma de refeição. Tudo isto faz muita confusão, mas sabemos que, muitas vezes, os bens que distribuímos não são confeccionados ou são até revendidos”, afirmou.

Além das duas campanhas anuais de recolha de alimentos - a próxima decorrerá no final de Abriç ou início de Maio -, o BACF conta com os excedentes das empresas para ajudar as famílias carenciadas.

Mas, em tempo de crise, "é inevitável que esses excedentes diminuam, porque as empresas têm de redimensionar a sua produção".

“Para além das pessoas terem de se habituar a não gastar mais do que têm, é preciso também disciplinar o consumo e modificar os hábitos adquiridos e sensibilizar as grandes superfícies comerciais para que não destruam produtos que se aproximam do fim da validade, mas antes que nos entreguem para os cozinharmos ou pôr a circular”, defendeu.

Segundo disse, “esta é a primeira finalidade dos BACF de todo o País. Não é receber produtos através de campanhas, mas lutar contra todos os desperdícios”.

Fonte: O Mirante 02/04/2009


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